Entre, embarque, navegue.

07/02/18

Reflexões sobre Anna Kariênina, por Dante Gallian

“Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira.” Assim começa “Anna Kariênina”, a excepcional obra da maturidade de Liev Tolstói (que aliás estarei discutindo no grupo de terça-feira do Laboratório de Leitura da Casa Arca – http://casaarca.com.br/…/anna-karienina-laboratorio-de-lei…/ – a partir de 30/01). Um começo instigante para uma história fascinante, ou melhor, histórias fascinantes. Pois Anna K. é na verdade um novelo de histórias, onde a protagonista divide a cena com outras personagens que lhe fazem contraponto ou lhe complementam. No entrecruzamento das histórias das famílias felizes e infelizes temos a oportunidade de ver representada, em alguma medida, nossa própria história – a história da nossa própria família, seja ela feliz ou infeliz.
Anna K. é um daqueles livros que nos abduzem e nos transportam para outras dimensões da realidade, trazendo-nos sensações, sentimentos, imagens e ideias – muitas ideias… Porém, depois de haver lido e relido, discutido e rediscutido esse livro dezenas de vezes, para além da sua riqueza inesgotável e o prazer sempre renovado que ele proporciona, percebo que nele se encontra um dos melhores e mais completos tratados sobre o AMOR. Depois de ler (e compartilhar a sua leitura no LabLei) começaremos a compreender o amor de uma maneira muito mais ampla e profunda – eu garanto.
Tolstói nos apresenta de forma plástica, sedutora e sensível tudo aquilo que mais de dois mil anos de filosofia, psicologia e antropologia, em centenas de milhares de volumes procurou, desajeitada e aborrecidamente, explicar. Partindo da sua primeira manifestação, a paixão erótica, as histórias das personagens e das famílias em Anna K. nos proporcionam acompanhar os diversos caminhos e descaminhos do amor, com suas inevitáveis consequências. E, de quebra, recebemos um banho de história, de cultura, de compreensão das relações humanas, em suas mais diversas possibilidades e dimensões.
Tudo isso e muito mais faz de Anna Kariênina uma obra “obrigatória” – dessas obrigações tão gostosas de cumprir. E quem se assustar com o volume que as mais de 800 páginas proporcionam, advirto que na experiência da leitura elas acabam parecendo menos de 80. Porém, se mesmo assim estiveres hesitante dou-te um conselho mais efetivo: venha ler conosco no Laboratório de Leitura, pois tudo o que se faz com a ajuda dos outros se torna mais leve e mais prazeroso. Enfrentar o “tijolo” de Anna K. vai ser como desfrutar de um verdadeiro banquete russo, com estrogonofe e vodca.

Dante Gallian

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